Pàgines

5.8.10

Quarto Percurso

E acima de tudo há a voz e o humor, o tom e a sintaxe, aquilo que te está, cidade, mais no íntimo. Falo, é claro, do imaginário vocabular e da construção da frase que por si sós se fazem ironia. Ah sim, uma ironia arguta e tão fechada que pode ir do elogiar em travessura à provocação de mau destino, tal qual como o calão em constante mutação de cada bairro.
Isso e acento privado do gesto e do diálogo são registos inconfundíveis do espírito do lugar, qualquer coisa que se sobrepõe àquele visual imediato que levou John Dos Passos a chamar a Lisboa "uma nostalgia adormecida", Saint-Exupéry um "paraíso claro e triste" e não sei quantos mais patriarcas da boa escrita a sublinharem-na com outros desabafos a despachar no mesmo tom.
J. Cardoso Pires, Lisboa. Livro de Bordo

Que el llenguatge ens veda el (re)coneixement del món ho va advertir Korzybsky. Cardoso Pires, tanmateix, accedeix a l'essència de la pròpia ciutat des de l'extrema plasticitat del portugués -o del llatí, segons com- que l'amara, i no des d'altres temptatives desfogadores.
Jo -com aquell els versos del qual m'anotava al quadern condicionat-m'hi l'arribada-, transeünt inútil, estrangera ací -com arreu!- casualitat fantasmal, copse, calma endins d'un nou parany de lectures, que si el mapa no és el territori, la literatura sempre n'és un itinerari.
Només un, això sí.